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Os ídolos da nova geração de brasileiros

Você admira algum líder da atualidade? Se sim, qual o nome dele? Qual característica deste líder o levou a escolhê-lo? Essas perguntas foram respondidas por 51.674 jovens brasileiros entre 17 e 26 anos – dos quais 55% já estão no mercado de trabalho – e trouxe um resultado tão diverso quanto curioso.

Pouco mais da metade dos respondentes disse admirar um líder e Barack Obama foi o nome mais citado, seguido pelos gurus da tecnologia Steve Jobs e Bill Gates. Já Mark Zuckerberg ficou com a quinta posição, atrás do empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann, que estreou no ranking junto a Flávio Augusto da Silva, fundador da escola de inglês Wise Up.

Embora o presidente dos Estados Unidos tenha sido o mais admirado, os políticos perderam espaço na comparação com o levantamento do ano passado. Lula e Dilma, presentes em 2013, não estiveram entre os mais lembrados agora. Outra mudança foi o desaparecimento de Eike Batista e o retorno de Silvio Santos. Joaquim Barbosa, Roberto Justus e o Papa Francisco completam o top 10 (veja quadro).

A razão mais votada para escolher um líder foi empreendedorismo e capacidade de inovar. De acordo com Adriana Chaves, diretora de desenvolvimento e carreira da Cia. de Talentos, que realizou a pesquisa em parceria com a Nextview People, isso mostra que essa geração, de fato, pensa diferente das anteriores. Características pessoais, causa pela qual luta e/ou valores, e visão sistêmica – clareza de onde quer chegar e de como fazê-lo – foram outros fatores valorizados.

Segundo Adriana, o noticiário e a mídia de maneira geral ainda exercem grande influência nos jovens em uma escolha dessa natureza. Por outro lado, alguns nomes começam a cair nas graças dessa geração em razão da forte presença no mundo virtual. A entrada de Lemann entre os mais admirados, no entanto, deve-se a uma somatória de tudo isso.

Ainda que sempre preze pela discrição, ele voltou a ganhar destaque nos últimos meses ao firmar uma parceria com o magnata americano Warren Buffett e comprar marcas famosas como a Heinz. Após o império de Eike Batista ruir, passou a ser chamado de “o verdadeiro bilionário do Brasil” e “o mais bem-sucedido empresário do país”. Além disso, é o nome forte por trás da Fundação Estudar, que tem presença ativa na internet e oferece bolsas para que brasileiros possam estudar nas melhores universidades do mundo.

O carioca Flávio Augusto da Silva, de 42 anos, tem uma imagem parecida perante o público jovem. Após fundar e vender a rede de escolas de inglês Wise Up para a Abril Educação, no ano passado, por R$ 877 milhões, atualmente ele administra seu fundo de investimentos T-BDH e é dono do Orlando City Soccer Club. O time de futebol dos Estados Unidos recentemente ascendeu à primeira divisão da liga americana e contratou o jogador Kaká, emprestado ao São Paulo até o fim do ano.

Mesmo com sua bem-sucedida trajetória profissional, foi com o canal “Geração de Valor”, no Facebook, que conquistou e a admiração de milhões de estudantes e recém-formados. Lá, ele dá dicas sobre carreira, empreendedorismo e compartilha suas experiências usando uma linguagem informal e próxima de seus seguidores. “Embora não trabalhe com este fim, ser reconhecido como uma inspiração é gratificante na medida em que considero essa uma função útil. Afinal, toda grande ideia ou projeto começa de um ‘insight’. Meu desejo é fazer jus a essa confiança e continuar colaborando com os jovens brasileiros”, afirma.

Silva se diz um apaixonado pelas novas gerações, que considera versáteis, inteligentes, ávidas por inovação e com uma enorme vontade de transformar o mundo. “Com sua afinidade com a tecnologia e novas formas de comunicação, o jovem está em busca não apenas de um emprego para pagar as suas contas, mas de um propósito. O prazer na jornada é tão importante quanto o destino”, enfatiza. Em sua opinião, as empresas que compreenderem isso vão atrair os melhores talentos.

A pesquisa contemplou também uma lista apenas com líderes brasileiros. Dentre estes, quem mais chama atenção é Bel Pesce, de apenas 26 anos de idade. Ela é fundadora da escola de desenvolvimento de talentos FazINOVA e se tornou um modelo de empreendedorismo e sucesso para os jovens. “Sou uma pessoa totalmente comum que conseguiu alcançar sonhos grandes. Eu represento que tudo é possível se você se dedicar de cabeça e de coração.”

Quando tinha 17 anos, Bel conseguiu ser aprovada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Durante os estudos, trabalhou na Microsoft, Google e Deutsche Bank e, após a conclusão do curso, mudou-se para o Vale do Silício. Lá, participou da criação e desenvolvimento de startups e escreveu seu primeiro livro “A Menina do Vale” – disponibilizado gratuitamente na internet em 2012 e que atingiu a marca de um milhão de downloads em menos de três meses. “Procuram-se Super Herois” saiu no ano seguinte e, em setembro, ela pretende lançar “A Menina do Vale 2″.

De volta ao Brasil, onde comanda a FazINOVA, Bel aposta na força de vontade e sede por responsabilidade da nova geração. “Quando falo dos jovens, falo também um pouco de mim. Queremos fazer mil coisas ao mesmo tempo e acabamos nos enrolando. O desafio está em canalizar essa energia em um objetivo. Quando acontece, é mágico”, ressalta.

Outro nome que apareceu no ranking nacional é o da presidente da Petrobras, Graça Foster. Mesmo com as denúncias e escândalos envolvendo o nome da empresa, Danilca Galdini, sócia-diretora da Nextview People, afirma que essa não chega a ser uma escolha surpreendente. Das pessoas que votaram na executiva, 74% são mulheres. Dentre as principais razões para o voto estão a habilidade de superar barreiras e vencer preconceitos, e características como determinação e disciplina.

Na opinião de Danilca, o jovem cada vez mais “customiza” seus líderes. Isso significa que ele não elege alguém que considera perfeito, mas que o inspira de alguma maneira. “A Graça Foster representa isso. Ela começou cedo, em um cargo de entrada, e conseguiu chegar ao topo”, explica.

As características que levaram os jovens a admirarem esses líderes, contudo, não são as mesmas que eles julgam essenciais para quem for ocupar a posição. Nessa hora, pesa mais ter iniciativa, inspirar e motivar, ter conhecimento sobre a área, trabalhar em equipe, mostrar coerência entre a fala e a ação, e desenvolver outras pessoas.

De acordo com Adriana, da Cia. de Talentos, os próprios respondentes dizem já ter boa parte dessas qualidades, ainda que estejam no início da carreira. “Eles fazem uma autoavaliação bastante otimista a respeito dos aspectos comportamentais. É como se faltasse apenas melhorar a parte técnica e estratégica para que pudessem assumir um cargo de comando”, afirma.

Mas é preciso ir com calma. Por ser um dos executivos mais admirados pelos jovens, Flávio Augusto da Silva tem envergadura para aconselhar: “Como em toda nova geração, aprender com os erros e os acertos de seus antecessores é uma questão de inteligência. Os que tiverem essa humildade vão chegar mais longe.”

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Fonte: Valor Econômico

Data: 30/07/14