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O estágio está valendo a pena?

Conciliar estudo e trabalho não é das tarefas mais fáceis que um milhão de estagiários de ensino médio e superior desempenham atualmente no Brasil, número divulgado pela Abres, Associação Brasileira de Estágios. Mas vale a pena: o estágio é uma oportunidade para aprender na prática a teoria dada em sala ou até mesmo o que o curso superior não ensina, além de dar um pontapé inicial no currículo para conseguir um bom emprego depois.

Mas, muitas vezes, a realidade é outra. Em vez de realizar as tarefas de um aprendiz, o estagiário é aproveitado como mão de obra barata para fazer as vezes de um funcionário normal, mas sem os encargos trabalhistas da carteira assinada. Pior, acaba desempenhando uma função que não agrega conhecimento ao desenvolvimento profissional desejado.

Se nessa fase o importante é construir a base para o trabalho futuro, vale a pena permanecer em um estágio que não ensina, que não respeita a Lei de Estágio ao exigir do estudante muito além das 6 horas previstas e comprometer os estudos?

Marcio Vinycius Pereira, consultor da Cia de Talentos, observa que algumas das queixas mais comuns feitas pelos estagiários são o não cumprimento da carga horária prevista pela Lei e acordada em contrato; a execução de tarefas que não estão previstas no contrato; falta de supervisão das atividades; o estágionão trazer um desenvolvimento efetivo à prática profissional, como ter tarefas muito operacionais, que não dão diferencial ao currículo.

“Caso tais situações aconteçam com frequência e o estagiário perceba nitidamente que seu aprendizado está estagnado ou que suas tarefas são puramente operacionais, acredito que seja hora de procurar algo melhor”, aconselha Pereira. Mas há uma ressalva: o consultor salienta que os jovens da geração Y normalmente têm expectativas de tempo relativas ao desenvolvimento da carreira que podem não estar alinhadas ao tempo das organizações de proporcionar isso.

Então, faz-se necessário avaliar se o progresso virá em médio prazo ou se o momento é mesmo o de trocar de estágio. Para isso, um bom começo é checar se as atividades descritas no início do estágio estão sendo as desempenhadas. Outro ponto importante é atentar-se ao programa de estágio que algumas empresas oferecem. Nele há estrutura e calendário formais para o desenvolvimento dos estagiários, que inclui cursos, treinamentos técnicos e comportamentais, workshops, encontro com os gestores, fóruns, projetos internos, etc.

“Outra sugestão é conversar sempre com outros estagiários da mesma empresa e também de outras, que trabalhem há mais tempo, e verificar como está sendo o desenvolvimento deles”, diz Pereira.

Se após essa avaliação descobrir que não há perspectiva de ascensão ou de melhora, cabe sugerir ao gestor um job rotation para conhecer as diversas áreas do negócio e suas interrelações ou propor à empresa que ofereça um curso específico que ajude no desempenho das tarefas e traga dinâmica e conhecimento à prática.

“Somente através de uma conversa franca e honesta é que o gestor poderá identificar qual é a causa da insatisfação do estagiário. É importante que esses jovens aprendam a gerenciar suas insatisfações e ansiedades. No mundo corporativo, nem tudo é do jeito que queremos e leva um tempo para ter aprendizado desejado”, acredita o consultor.

 

 

Fonte: UOL Emprego Certo